Omar quer retomar complexo da UEA após investimento de R$ 100 milhões
Projeto iniciado durante a gestão de Omar no Governo do Amazonas tinha orçamento inicial de cerca de R$ 300 milhões; candidato propõe recuperar estrutura em Iranduba e transformá-la em polo de inteligência artificial e tecnologia
O candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) afirmou que pretende retomar as obras da Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Iranduba, empreendimento iniciado durante sua própria gestão como governador e que permanece inacabado após receber cerca de R$ 100 milhões em investimentos públicos.
A proposta foi apresentada por Omar durante entrevista à TV Norte. Segundo o candidato, caso seja eleito, a intenção é recuperar o complexo e direcioná-lo à formação em inteligência artificial e novas tecnologias.
A Cidade Universitária começou a ser implantada em 2012. O projeto previa concentrar unidades da UEA em uma área de aproximadamente 13 mil hectares em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
Inicialmente estimado em aproximadamente R$ 300 milhões, o empreendimento não foi concluído. As estruturas construídas ficaram abandonadas e sofreram deterioração ao longo dos anos.
Em 2018, uma estimativa apontava que seriam necessários aproximadamente R$ 700 milhões para finalizar o complexo.
Cidade Universitária começou no governo de Omar Aziz
O projeto começou a sair do papel em 2012, quando Omar Aziz comandava o Governo do Amazonas.
A proposta era criar um grande complexo universitário da UEA em Iranduba, reunindo estruturas acadêmicas e administrativas da instituição.
Omar deixou o Governo do Amazonas em abril de 2014 para disputar uma vaga no Senado.
As obras não foram concluídas durante sua administração e acabaram paralisadas nas gestões seguintes.
Quando o empreendimento foi interrompido, cerca de R$ 100 milhões em recursos públicos já haviam sido aplicados.
Com o passar dos anos, prédios e outras estruturas construídas no terreno ficaram expostos às condições climáticas e passaram por processo de deterioração.
Custo para concluir obra chegou a ser estimado em R$ 700 milhões
O valor necessário para concluir a Cidade Universitária aumentou significativamente após a paralisação.
O orçamento inicial do empreendimento era de aproximadamente R$ 300 milhões.
Em 2018, uma estimativa apontava para a necessidade de cerca de R$ 700 milhões para finalizar o projeto.
O aumento do custo e a deterioração das estruturas fizeram com que a Cidade Universitária se tornasse tema recorrente do debate sobre obras públicas inacabadas no Amazonas.
Os recursos aplicados no empreendimento também passaram a ser utilizados por adversários políticos de Omar em críticas ao período em que ele governou o Estado.
Omar diz que pretende retomar projeto
Durante entrevista concedida em agosto de 2026, Omar afirmou que considera possível recuperar o empreendimento.
Segundo o candidato, quando deixou o Governo do Amazonas havia recursos disponíveis para a continuidade da construção.
Omar atribuiu a paralisação definitiva da obra às administrações que assumiram o Estado posteriormente.
Essa é a versão apresentada pelo candidato. A conclusão da Cidade Universitária dependia, ao longo dos anos, de fatores administrativos, financeiros, técnicos e também enfrentou questionamentos relacionados ao empreendimento.
Proposta prevê polo de inteligência artificial
Omar também apresentou uma nova finalidade para parte da estrutura.
A proposta defendida pelo candidato é transformar a Cidade Universitária em um centro de formação direcionado à inteligência artificial, tecnologia e novas profissões.
Segundo ele, as transformações provocadas pela IA exigem mudanças na formação universitária e na preparação dos jovens para o mercado de trabalho.
O candidato afirmou que pretende fazer do complexo uma referência da Região Norte na área de inteligência artificial.
A proposta integra o Plano Estratégico de Desenvolvimento apresentado durante a campanha de Omar.
Omar pretende atrair empresas de tecnologia
Além da formação acadêmica, o candidato relacionou a recuperação da Cidade Universitária à possibilidade de atrair empresas do setor de tecnologia para o Amazonas.
A proposta apresentada prevê aproximar universidade, ciência, tecnologia e setor produtivo.
Segundo Omar, a posição estratégica da Amazônia poderia ser utilizada para atrair empresas internacionais de informática e tecnologia interessadas em projetos relacionados ao desenvolvimento sustentável e à inteligência artificial.
A atração efetiva dessas empresas, entretanto, dependeria de investimentos, infraestrutura, incentivos e decisões das próprias companhias.
Qualificação é relacionada à Zona Franca de Manaus
Omar também relacionou a proposta de formação tecnológica ao futuro da Zona Franca de Manaus.
Na entrevista, o candidato citou a preservação de vantagens competitivas do modelo durante a Reforma Tributária e afirmou que o Amazonas precisa preparar trabalhadores para novas demandas industriais.
Segundo ele, a adoção crescente de novas tecnologias deverá aumentar a necessidade de profissionais qualificados.
Omar também afirmou que espera a instalação de novas indústrias no Estado e disse que pretende ampliar a qualificação dos jovens.
Essas projeções fazem parte das propostas e expectativas apresentadas pelo candidato e não representam resultados já concretizados.
Cidade Universitária volta ao debate eleitoral
A retomada do empreendimento passou a fazer parte do debate da eleição estadual de 2026.
Em setembro, o governador Roberto Cidade, candidato à reeleição, também afirmou que pretende recuperar a Cidade Universitária caso permaneça no cargo.
Cidade disse que sua equipe realizou uma avaliação preliminar das estruturas e que pretende fazer novos estudos para identificar o que ainda poderá ser aproveitado.
Com propostas apresentadas por diferentes candidatos, a recuperação do complexo volta ao centro das discussões sobre educação superior, aplicação de recursos públicos e infraestrutura no Amazonas.
Futuro do complexo dependerá de nova avaliação
Mais de uma década depois do início das obras, qualquer retomada da Cidade Universitária deverá considerar o estado atual das estruturas e o custo atualizado para conclusão.
A última estimativa mencionada na reportagem original, feita em 2018, apontava aproximadamente R$ 700 milhões para finalizar o empreendimento.
Esse número, portanto, não deve ser interpretado como orçamento atualizado para 2026.
Uma eventual retomada exigiria novos levantamentos de engenharia, definição do modelo acadêmico, fontes de financiamento e avaliação dos custos de construção e manutenção.
Por enquanto, a transformação da estrutura em um polo de inteligência artificial representa uma proposta eleitoral apresentada por Omar Aziz, e sua implementação dependeria de eventual vitória nas eleições, além das etapas administrativas, orçamentárias e técnicas necessárias.



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