SBPC quer colocar ciência, saúde e tecnologia no centro das eleições de 2026
Entidade cobra espaço para temas como inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde, transição energética e investimentos em pesquisa durante as eleições
A ciência e a tecnologia ainda ocupam espaço reduzido nas discussões da campanha eleitoral de 2026, segundo avaliação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Para a entidade, questões consideradas estratégicas para o futuro do Brasil estão sendo deixadas em segundo plano em meio à predominância de disputas políticas e da atual crise institucional no debate público.
A avaliação foi apresentada pela presidente da SBPC, Francilene Garcia, em entrevista à Agência Brasil. Professora e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ela defende que o país precisa conciliar o debate sobre a integridade das instituições com a construção de políticas de desenvolvimento de longo prazo.
Entre os assuntos que a entidade considera fundamentais estão o financiamento da ciência, mudanças climáticas, inteligência artificial, transformação digital, transição energética, minerais críticos, envelhecimento da população e preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para possíveis novas crises sanitárias.
Ciência ainda tem pouco espaço entre candidatos
Segundo Francilene Garcia, a ciência historicamente encontra dificuldades para ocupar posição central nas campanhas eleitorais brasileiras.
A pandemia de Covid-19, em 2020, aumentou a visibilidade do debate científico. Posteriormente, eventos climáticos extremos, como as enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, queimadas no Centro-Oeste e períodos de seca e escassez hídrica em regiões do Norte e Nordeste, também ampliaram a discussão sobre o papel da ciência.
Nas eleições de 2026, porém, a SBPC avalia que assuntos estratégicos voltaram a ocupar uma posição periférica.
Para tentar ampliar a presença dessas questões no processo eleitoral, a entidade lançou o Observatório das Eleições, iniciativa que reúne mais de uma centena de propostas de políticas públicas consideradas importantes para o desenvolvimento nacional.
A plataforma também busca aproximar candidatos das discussões promovidas pela comunidade científica.
De acordo com a presidente da SBPC, pouco mais de cem candidaturas estavam engajadas na iniciativa no momento da entrevista. Entretanto, somente uma candidatura ao Executivo federal havia aderido, e nenhuma candidatura aos governos estaduais tinha assumido compromisso com as propostas apresentadas pela entidade.
Inteligência artificial entra na lista de preocupações
A transformação digital e o crescimento acelerado da inteligência artificial também estão entre os assuntos que, segundo a SBPC, deveriam receber maior atenção dos candidatos.
A entidade considera necessário discutir qual será o grau de autonomia tecnológica do Brasil na próxima década.
O debate envolve investimentos em pesquisa, formação de profissionais, infraestrutura tecnológica e capacidade nacional de desenvolver e utilizar novas tecnologias.
A discussão também está relacionada aos minerais críticos e às chamadas terras raras, matérias-primas consideradas estratégicas para diferentes setores tecnológicos.
Na avaliação apresentada pela SBPC, o Brasil precisa discutir não apenas a exploração desses recursos, mas também sua capacidade de processamento e utilização dentro de cadeias produtivas de maior valor agregado.
Mudanças climáticas exigem políticas de longo prazo
Outro ponto destacado pela entidade é a crise climática.
Eventos extremos registrados nos últimos anos aumentaram a preocupação de pesquisadores com os efeitos do aquecimento global sobre cidades, atividades econômicas e biomas brasileiros.
A SBPC defende que as mudanças climáticas sejam tratadas como parte das políticas nacionais de desenvolvimento, incluindo seus possíveis impactos sobre a agroindústria e a infraestrutura das cidades.
A discussão envolve ainda medidas de adaptação e preparação para eventos extremos cada vez mais frequentes.
Saúde e risco de novas pandemias preocupam cientistas
A preparação do Brasil para futuras crises sanitárias também aparece entre as prioridades defendidas pela comunidade científica.
Francilene Garcia chamou atenção para a necessidade de discutir como o SUS poderá responder a eventuais novas pandemias e emergências de saúde pública.
Nesse contexto, a SBPC também considera necessário fortalecer políticas de imunização e enfrentar a resistência de parcelas da população às vacinas.
A experiência da pandemia de Covid-19 mostrou a importância da capacidade científica nacional, da estrutura de saúde pública e da disponibilidade de pesquisas e tecnologias para responder rapidamente a emergências sanitárias.
Envelhecimento da população entra no debate
As mudanças demográficas brasileiras representam outro desafio apontado pela presidente da SBPC.
O crescimento da população com mais de 60 anos deverá provocar impactos significativos nas próximas décadas, atingindo áreas como saúde, Previdência, mercado de trabalho, produtividade e políticas sociais.
Para a entidade, essas transformações precisam ser antecipadas pelo planejamento público e incorporadas às propostas apresentadas durante as eleições.
A preocupação é que decisões tomadas atualmente terão consequências justamente no período em que o Brasil enfrentará uma composição populacional bastante diferente da atual.
SBPC pede mais espaço para projeto de desenvolvimento
A posição defendida pela entidade científica não é de que investigações ou questões institucionais devam deixar de ser discutidas.
A SBPC sustenta que o respeito às instituições, ao devido processo legal e ao direito de defesa deve coexistir com o debate sobre políticas capazes de preparar o Brasil para os próximos anos.
Na avaliação da entidade, ciência, tecnologia, clima, saúde, inteligência artificial, educação e desenvolvimento econômico precisam ocupar espaço maior nas propostas dos candidatos.
Com a aproximação das eleições gerais de 2026, a SBPC tenta levar essas discussões às campanhas e estimular candidatos a apresentar propostas concretas para áreas consideradas estratégicas para o futuro do país.
Fonte: Agência Brasil / Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).



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